Os direitos dos povos de terreiros na encruzilhada

: o uso do atabaque e o meio ambiente

  • Andréa Letícia Carvalho Guimarães Universidade de Brasília
Palavras-chave: Povos de Terreiros, Quebra de Xangô, Racismo Religioso, Recomendação nº 01/2018, Ministério Público

Resumo

O presente artigo pretende analisar as violências e discriminações sofridas pelos povos de terreiro, em especial, o “Quebra de Xangô” movimento de perseguição religiosa, ocorrido em 1912 na cidade de Maceió, em conjunto com os recentes casos de racismo religioso que vêm sofrendo as comunidades em todo o Brasil, impedidas de utilizar seus atabaques nos seus cultos pela alegação de perturbação do sossego ou poluição sonora. A perspectiva desse trabalho é avaliar como o histórico de negação dessas práticas tradicionais religiosas ainda continua em tempos democráticos e busca apresentar algumas possibilidades para que essas casas não sejam silenciadas e tenha os seus direitos protegidos.

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Disponível em: link para o artigo. Acesso em 13.05.2018. DOI: 10.1590/2179-8966/2017/25624.
Publicado
2018-11-23
Como Citar
Carvalho Guimarães, A. (2018). Os direitos dos povos de terreiros na encruzilhada. Revista Científica De Direitos Humanos, 1(1), 179 a 196. Recuperado de https://revistadh.mdh.gov.br/index.php/RCDH/article/view/28